quarta-feira, 8 de junho de 2011

Paulistano, finalmente...



Fote: google imagens

Paulista - natural do estado de São Paulo.
Paulistano - natural da cidade de São Paulo.

Seguindo a conceituação linguística, eu nunca serei paulistano. Porém, desde sempre eu nutri uma paixão pela cidade de São Paulo. Acredito que o apaixonado a tal ponto que objetiva e torna-se habitante dessa capital tambem mereça a designação "paulistano". Afinal, passarei a enfrentar engarrafamentos, filas e outros problemas gigantescos que apenas uma metrópole com 11 milhões de habitantes possui. Já sou um apaixonado, curioso e entusiasta deste cenário e o principal, chego com muitos sonhos na bagagem, bem como o entusiasmo para realizá-los. Por que não poderia tambem ser considerado "paulistano"?

Era um sábado chuvoso, dia 27 de maio... Acordei de madrugada para embarcar rumo à São Paulo. Ficaria hospedado no apartamento de um amigo enquanto procurasse emprego e apartamento. Tinha até o dia 13 para encontrar todas as soluções para as dúvidas, perguntas e ansiedades que me assombravam. Confesso que saí de Belo Horizonte dividido. Uma parte sentiu muita falta (quanto mais nos primeiros dias) da turma de amigos, do apartamento familiar e do clima quente dos mineiros.

Outra parte, mal poderia esperar para mudar de horizontes. Esse lado carregava o peso das escolhas erradas, dos traumas emocionais, das paixões mal sucedidas e da vida monótona que me acompanhava há alguns meses. Esse lado era pesado, mas não seria o impulso que me moveria em São Paulo, afinal eu levarei meus problemas aonde quer que eu vá, à menos que dê um fim definitivo, independente da localização geográfica.

Me acostumar com o frio foi quase um tratamento. Estado nervoso exaltado, frio e uma certa saudade me atormentaram de novo. Tive medo de não ter forças pra continuar lutando por uma mudança. Porém, amigos, conhecidos e até os desconhecidos começaram a se mostrar mais solícitos do que um homem medroso imaginaria.

Sim, fui medroso. Tive medo de que São Paulo me engolisse. Aquela paisagem infinita de prédios, concreto, asfalto, carros e gente que tanto eu apreciava, passou a significar um ambiente estranho e hostil ao meu ponto de vista. Uma selva de frieza e praticidade extrema, mas que acabou sendo menos selvagem do que pareceu.

Com o tempo, fui desvendando a metrópole. Vendo que cada coisa tem o seu ligar, cada pessoa enxerga diferente, mas respeita essa diferença (na maioria) afina, como é possível pensar uniforme com tanta gente? A infinidade de problemas passou a ser infinidade de oportunidades e soluções e a imagem da cidade foi mudando... Voltando a ser a São Paulo que conquistou espaço no meu coração desde que a conheci, quase 7 anos atrás.

Ainda continuo a procurar emprego, mas achei o apartamento (esse será o tema de outro post...) e em breve, me mudarei de fato. Mas já posso dizer que a cidade em que moro, mora também no meu coração...

Abraço pra você!

quinta-feira, 24 de março de 2011

O dia em que Elizabeth Taylor morreu.

Fonte: Google Imagens


Foi uma quarta-feira...

Eu me levantei relativamente tarde. Já havia combinado com minha amiga de irmos à palestra da Azul Linhas Aéreas e fui despertado por uma mensagem dela. "Oi bonito, n vou trabalhar hj. Vamos nos encontrar?". Passavam das 10 da manhã e eu ainda tentava calcular a hora em que a aula dela terminava versus quanto tempo eu tinha para me arrumar. Banho, arrumação da cama, um copo de leite e cereal e o computador ligando...

A rotina de sempre... E-mail, blogs, jornais e twitter. Quando vejo um amigo e seguidor que havia escrito: Liz Taylor > R.I.P.

Qualquer sombra de bom-humor foi-se nesse instante. Aquela linda mulher que havia interpretado Cleópatra, musa da minha paixão pelo Egito... De personalidade forte, beleza estonteante e lindos olhos lilás... Elizabeth Taylor, é claro já não era a jovem de 1963, mas ainda assim a notícia me causou tristeza. Mesmo sabendo que ela não interpretava papéis no cinema, aparecia pouco na mídia... Ainda assim, era o fim de uma era. Me imaginei contando para algum jovem, décadas no futuro, de que me lembrava de Liz Taylor, quando ainda era viva...

O fim de uma era...

Assim que minha amiga chegou, começamos a conversar e aquela notícia ficou distante... Menos fatalista.. Menos pesada. Almoçamos juntos e passamos a tarde um em companhia do outro até as 17 horas. Seguimos para o auditório em que a palestra aconteceria. Uma fila grande se formou em ordem alfabética para a organização dos convidados. Pude encontrar velhos amigos do curso de comissário, professores, mas me senti um tanto fora do ninho, dentro da minha camisa social diante de todos os outros trajando ternos e blazers.

A palestra começou uma hora após o previsto - Mas fazemos parte da aviação brasileira. Atrasos são costumeiros companheiros de qualquer profissional do ramo.

Então, os executivos responsáveis pelos tripulantes de voo da Azul começaram a apresentar sua empresa. Valores, marcas, peças-chave de estratégias, o que eles procuravam nos profissionais... Pouco à pouco o "1º encontro mineiro de aviação" foi tomando forma de um "Open Day da Azul Linhas Aéreas", mas isso ainda não era certo. 160 olhares interessavam-se cada vez mais pela política amistosa que nos apresentavam conforme os slides eram trocados, lembro-me de ter visto inúmeras fotos de Embraer's voando por céus límpidos... Azuis! A paisagem de solo predominante era o Pão de Açúcar e mesmo os recém-adquiridos ATR's fizeram parte das imagens.

O palestrante fez uma pausa na foto em que lemes "azuis" alinhados em perfeição dominavam o pátio do Aeroporto de Campinas - Viracopos. Segundo ele, de 18 decolagens por dia, desde que a Azul chegara à cidade fazendo dela seu hub, esse número aumentou para 110 decolagens por dia. 9 da manhã, 3 da tarde e 9 da noite, os Embraer's completavam qualquer vazio que houvesse.

A palestra transcorreu interessante e, no final...

-A Azul tem uma surpresa pra vocês da Esaer. Foi combinado com a coordenadora uma lista com 15 nomes. Esses foram os alunos que tiraram as melhores notas. E estes alunos já estão convidados à participarem da seleção de tripulantes da Azul. Esse processo acontecerá até maio ou junho, mas todos serão chamados para fazer a seleção. Conforme dizemos o nome, por favor levantem-se. Vocês decidem se querem aplaudir um de cada vez, ou todos no final... O primeiro nome é: Ranieri Eustáquio.

Minhas pernas tremeram, minhas mãos geladas transpiravam e minha respiração deixou a calmaria para um instante de adrenalina... Não consegui parar de sorrir enquanto o auditório me aplaudia. Só pude escutar minha amiga ao meu lado dizer: "Ai! Que lindo!!!" Então, ao procurar a cadeira com as mãos para me sentar, a coordenadora de cursos fez um gesto para que eu fosse para a frente do palco.

Outros nomes foram chamados e o pessoal se formou em fila, aplaudindo os companheiros. Quatro amigos meus foram chamados à frente. Dividíamos o mesmo sorriso... Não conseguia pensar no que estava acontecendo realmente. Um turbilhão de fantasias dominava minha mente. Campinas, uma sala de treinamento, o corredor de um Embraer, o unifrome Azul, tripulantes sorrindo comigo, minha mudança para São Paulo. Foi difícil colocar meus pés no chão em meio à tanta adrenalina.

Quando a palestra acabou e eu cheguei em casa, só pensava em contar para minha família e meus amigos. Fiquei algumas horas na internet conversando com todos, tentando fazer minha mente vagar em realidades, o mais real possível. Sei qual é o meu vício de fantasiar e queria fugir dele ao máximo.

Eram uma hora da madrugada e todos tinham ido embora. A janela de arquivos salvos acusava o mais recente. Aquele que eu tinha "baixado" durante a tarde e já me esquecia. "Who's Afraid Of Virginia Woolf" - Elizabeth Taylor e Richard Burton contracenando em 1966. - O dia mais feliz para mim de 2011, até agora, tinha sido infelizmente... O dia em que Liz Taylor se foi...

Abraço pra você!

domingo, 6 de março de 2011

Esperando...

Fonte: Arquivo Pessoal

Sete horas da manhã, os lençóis desarrumados e o travesseiro umedecido pelas lágrimas. Uma incerteza. Uma decisão pra ser tomada. Tudo que sei é que depois da mentira contada na noite anterior, mentira essa que me fizesse parecer calmo, mais adulto, mais desapegado... Não surtia efeito nenhum para minha tranquilidade. E a agonia das incertezas estavam se prolongando. Uma espera declarada que me custara alguns meses, agora prometia ser indefinida... Até que ele se interessasse de novo.

Vários tópicos giravam na minha mente e essa já apresentava sinais físicos de que não comportaria tanta pressão por muito tempo - dor. Dor de cabeça que transferia para o físico o que eu sentia no emocional. Quando e porque eu perdi o interesse dele? Se eu tivesse feito diferente aqui, ali... Maldita hora em que fui pedir o contato de alguém que estava longe... E agora ele aqui, tão perto e mais distante que quando estava realmente longe... Mais dor. Mais lágrimas...

E a próxima espera? Seria com que objetivo? Já tinha a confirmação por todos os sentidos de que não sentíamos o mesmo tanto de "gostar". Eu me apaixonei enquanto ele desapaixonou. Reconhecer o "mais uma vez", doía. Imaginar o quão especial ele tinha sido em dois meses pra mim e agora, eu não poderia fazer nada à respeito... À não ser esperar que, talvez um dia? Quem sabe? Meu egoísmo me impressionou, desconsiderei a "não-vontade" dele, em favor da minha vontade... Esperei um pouco mais, quis seduzir, quis procurar - mas nem tanto, para não parecer chato... Sem obter respostas. Sem retorno. Eu acenava e ele me via, mas não me notava como eu queria.

Então, tudo acabou me levando à solução final - O afastamento. Reconhecer o fim, sofrer com isso por um tempo e depois, seguir em frente. Me levantei, liguei o computador, o relógio marcava 8:30. A página da internet não carregou. Talvez para que eu pensasse um pouco mais se faria o que era certo. E assim, a primeira página da rede social, a busca, o nome... A foto. Ah, a foto... Me levou alguns segundos para desviar os meus olhos reais dos olhos e do sorriso virtual dele. Doeu um pouco mais. Selecionei mensagens e descarreguei nas letras, desculpas pela mentira que tinha contado, justificativas, intenções e finalmente, a aceitação de um fato consumado. Uma súplica que ele perdoasse o meu afastamento, a minha exclusão dele como "amigo", por que afinal tudo até ali tinha sido virtual, então... Tudo pareceu importante... Não sei até que ponto seria pra ele, mas pra mim... Só de imaginar a sequencia de dias vendo ele sorridente, ainda que estático na tela do meu computador, saber o que ele anda fazendo, saber que eu não era nem uma mínima razão daquele sorriso, enquanto eu lutava pra deixar de gostar tanto assim, seria pra mim, mais que o suportável.

Só que terminei a mensagem e não consegui enviar. Salvei-a nos arquivos do meu computador enquanto me perguntava em voz alta "tem certeza de que é isso que você quer?" Não respondi, apenas precisava pensar um pouco mais. Assim que voltei pro quarto e olhei o teto, imaginei as consequencias das duas atitudes. Fingir que não quero tanto assim e esperar que um dia, ou eu superasse, ou ele se apaixonasse? Mas à custo de percebê-lo tão perto, sem poder estar com ele... À custo de uma mentira... E o principal, gostar tanto de quem não gosta tanto... Ou dizer a verdade, cortar os laços, enlouquecer com a saudade durante alguns dias, sofrer as recaídas, correr o risco de ficar estranho ao vê-lo na rua...

No final das contas as duas atitudes se resumiram à esperar e à decidir. Como eu cheguei até essa situação esperando, optei dessa vez por decidir. Liguei o computador novamente enquanto sentia o gosto amargo da perda, de reconhecer o fim de um desejo que nem foi vivido... A mensagem já estava pronta, então copiei e colei a minha última conversa com ele. Li o conteúdo uma vez mais com a visão embaçada pelas lágrimas, com o peito apertado pelo peso da realidade. Realidade que eu tentei negar por mais de um mês e que agora, eu me rendia. Um clique - enviar. Pronto. As páginas já estavam abertas para que eu o excluísse das redes sociais... À cada "x", uma confirmação... E doeu ainda mais precisar confirmar que estava excluindo ele por três vezes.

Agora a chuva ainda cai, a saudade começou a se assentar... O carnaval deixou tudo vazio. Definitivamente, é a pior época do ano para que isso aconteça com alguém. Tenho medo ainda do tanto que vou sentir a falta dele, tenho medo do tempo que isso vai levar... Espero ler isso um dia com o coração tranquilo... Sem lágrimas nem insônias.

Abraço pra você...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

12 de Janeiro

Fonte: Arquivo Pessoal


Dia da prova.

"A prova"

Durante um bom tempo, o substantivo mais usado no curso de comissários. As variações incluinham "provinha da Anac" e simplesmente "Anac". Explico às pessoas que, é tal qual uma "O.A.B." para comissários de voo. A confirmação da capacidade técnica de um profissional que, passando nesta prova com 70% de aprovação em quatro matérias, estará apto à entregar seu currículo como candidato às vagas das empresas aéreas para comissários.

Assim como o vestibular está para o colegial, a prova da Anac está para a escola de comissários. As recomendações, provas, questões... Toda a preparação teórica é feita com o objetivo de que sejamos aprovados na prova da Agência Nacional de Aviação Civil.

Quando iríamos fazer essa prova. A dúvida que ninguém respondia mencionando a data exata, ao invés disso, partilhamos da resposta uniforme: "assim que meu nome sair no registro do site da Anac". E comigo não foi diferente. Numa madrugada de dezembro, enfim o registro figurou na tela do meu computador. Depois de três buscas terminando em nada, não me contive ao exclamar "Até que enfim!". Na mesma madrugada, imprimi o Guia de Recolhimento da União para as quatro matérias e o pagaria no dia seguinte. Segundo o protocolo, eu devia esperar 5 dias para que a transação fosse confirmada e os registros me concedessem a marcação da data de prova.

Combinei com três colegas de irmos no fim da semana seguinte ao aeroporto da Pampulha. Era uma sexta-feira ensolarada, dia 17 de dezembro. Desci do ônibus azul na praça Bagatelle exatamente um ano depois em que, do outro lado da rua, não conseguia controlar as lágrimas enquanto conversava com meu pai ao telefone dizendo que não suportava mais a idéia de me tornar piloto. Um ano depois que uma outra prova da Anac foi feita e eu, reprovado. E eu, reprovava de vez minha carreira de piloto comercial.

Não pude evitar que me viesse a recordação daquele dia. Agora, de humor renovado, seguia confiante em direção à sala que encerrara um caminho, agora solicitava seguir por outro. Não muito distante, mas com certeza mais amadurecido. Sentamos no terraço do aeroporto que ainda continua sendo aberto. O motor de dois ATR's rasgavam o silêncio do mirante vazio e imaginamos, observando a tripulação ir para as aeronaves se demoraríamos a seguir por aquele mesmo ritmo.

Primeiro meus colegas. Então eu marquei a minha data, acompanhando a vontade comum de fazer o teste em São Paulo e, decidida na gerência da Anac mesmo, a data de 12 de janeiro do ano seguinte. Ainda consegui me safar de uma matéria por ter o brevê de piloto privado!

Passados natal, ano-novo e de volta à Belo Horizonte, estudei uma média de duas horas por dia (não exatamente todo o dia), mas conforme o dia 12 ia chegando, uma sensação de ansiedade misturada com pânico foi tomando conta da minha sanidade e afugentando meu sono, apetite e principalmente, minha tranquilidade. Passagens compradas para às 6 horas da manhã, não consegui dormir nada do dia 10 para o dia 11. Então, me apossei de uma recomendação em que a química venceria o meu psicológico e "apaguei" cerca de 11 horas da manhã do dia 11.

Acordei às 9 da noite trocando o dia pela noite. Um tanto zonzo depois de 10 horas de sono quando na semana anterior dormir 6 horas seguidas era um caso raro, arrumei todos os documentos, currículos e meu paletó. Tentei me entreter na internet até o horário de sair de casa para o aeroporto. Check-in feito, encontrei com mais três amigos que fariam a prova no mesmo dia. Combinamos de chegar de manhã e estudar até a hora do almoço. Faríamos a prova às 13 da tarde.

Numa sala congelante pelo ar-condicionado, 20 computadores aguardavam os candidatos após o instrutor dizer: "Podem escolher qualquer uma das máquinas". Sentei e imediatamente senti as palmas das mãos frias e suadas. Esfreguei-as pensando que tudo que eu poderia fazer até ali, tirando ficar calmo já estava feito. O computador iniciou o sistema de provas automaticamente, preenchi meu número de inscrição e, aguardando a ordem do instrutor, a prova começou às 13:30 da tarde.

Na primeira questão eu já me desesperei. "Como virar um bote numa sobrevivência no mar?" Eu buscava todas as maneiras possíveis de ligar a pergunta com o que falou-se em sala de aula, com o que li nas apostilas, sem sucesso. Todas as alternativas pareciam absurdas e confusas. Parti para a segunda questão. Sem melhoria. "Que parte da casca você usa para fazer farinha?" Diabos! Nunca aprendi a fazer farinha nos exercícios de sobrevivência! Entrei em pânico e pensei que realmente não seria dessa vez que passaria na prova da Anac. Assim, me rendi a fazer o melhor que podia nas questões subsequentes.

Porém, apenas as duas perguntas iniciais me soaram absurdas. As seguintes se mostraram bem mais adequadas ao que tinha estudado até então. Voltei diversas vezes nas que me deixaram mais em dúvida, fiz o que todos aconselhariam errado - substituí alternativas, movido mais pela esperança que pela certeza. E ao clicar em "encerrar a prova" senti meu coração subir pela garganta. Uma janela abriu destacando o seguinte: "Tem certeza de que terminou sua prova?" Com o coração agora na boca, cliquei em "sim" e esperei. Foram os 3 segundos mais longos da minha vida. Mais longos que os que você aguarda o Turbo Drop despencar você de uma altura de 60 metros. E então, li nas letras vermelhas e em caixa alta "APROVADO".

Expirei e não emiti um som além desse. Peguei minha mochila e saí da sala de provas. Ao chegar na recepção, dois amigos me olharam como quem aguarda notícias de uma cirurgia de risco num hospital. Então eu sorri. E recebi seus sorrisos de volta. Finalmente pude sentir um pouco de calor corporal percorrer meu coração disparado e minhas mãos frias e trêmulas.

Porém, a alegria não foi completa. Dos 5 ex-alunos da Esaer, dois não passaram naquele dia.

Com a ajuda de Maria, uma grande amiga que mora em São Paulo, fui com meus amigos à academia da Tam, entregar nossos currículos e vestidos à caráter. A recepção foi fria e intimidadora. O prédio do CTA apareceu à mim pela primeira vez altivo, entre as árvores da rua Ápia, cercado de treinandos trajando o uniforme de trabalho das suas funções. Agentes de aeroporto e comissários nos olhavam enquanto chegamos próximos do portão. O segurança - como é de praxe entre eles - com cara de poucos amigos nos abordou com um seco "boa tarde". Respondemos que pretendíamos deixar nossos currículos. Ele cerrou os olhos e percorreu cada centímetro de altura que tínhamos com um olhar céptico, quase agressivo. No fim, abriu o portão e nos deixou entrar. Ao que respondemos "muito obrigado".

Pisava pela primeira vez no meu sonho. Agora real, o chão do Centro de Treinamento da TAM linhas aéreas não era muito acolhedor enquanto ainda éramos vítimas dos olhares inquisitivos dos treinandos. Seguimos à recepção e fomos saudados com um sorridente "boa tarde" de uma moça simpática. "Viemos entregar nossos currículos para o RH". Imediatamente a moça deixou de ser simpática e fez cara séria: - Não recebemos currículos de papel. Vocês podem se cadastrar pelo site. "Mas teria algum lugar onde poderíamos deixar?" Um "não" simples foi a resposta. Nada tínhamos mais à dizer à não ser "obrigado".

Ao cruzar o portão e agradecer novamente o segurança, uma treinanda nos abordou perguntando de estávamos lá para deixar currículos. Dissemos que sim, ao que ela aconselhou: "Por aqui eles não pegam currículos, mas vocês podem enviar para este site." Perguntamos sobre o treinamento e agradecemos muito pela ajuda que ela nos prestou, de maneira tão altruísta. No fim daquele dia, eu havia decidido que até aquele momento, tudo estava correndo tão depressa que eu não conseguia pensar direito no próximo passo.

Decretei férias. Até o carnaval meu currículo ficaria nas minhas mãos. Depois de dois meses de idéias trabalhadas, pensamentos realistas, menos idealizações... Só então eu enfrentaria as seleções. E decidi tambem que, antes de qualquer seleção, a primeira tentativa seria o meu objetivo tão sonhado. Por enquanto tem sido assim...

Abraço pra você!
Voltei à Belo Horizonte à noite.

sábado, 25 de dezembro de 2010

A greve que não aconteceu...

fonte: ligacaodireta.blogspot.com


Dia 23 de dezembro, Brasil. Ano de 2010. Um dia que entraria na história do país como um momento histórico. Uma greve em massa de aeronautas estava programada para iniciar às 5 horas da manhã. O motivo: reajuste salarial. A categoria dos aeronautas requeria um aumento de 15% inicialmente, flexibilizando para 13%. No entanto, o sindicato das empresas aéreas apenas cedia em 6,08%. O impasse da última reunião no dia 15 tinha se mantido. Era hora de entrar em ação.

Às vésperas do feriado com maior número de tráfego aéreo do país, pilotos, comissários e agentes de aeroporto entre outros funcionários iriam cruzar os braços e pressionar por um aumento decente para aeronautas e aeroviários. O caos não poderia ser calculado. Muitos passageiros ficariam sem poder embarcar, o governo enfrentaria uma crise maior da que houve após o acidente da Gol em 2006 e posteriormente, no final de 2007.

Tudo preparado para interditar os céus brasileiros de uma maneira nunca antes vista. Eu, acompanhei via sites de notícias, as últimas horas antes da greve para saber como a situação iria ficar. 23 de dezembro pormetia... Por volta das 3 da manhã, um amigo comissário estava conversando comigo via msn dizendo que voaria sim no dia 23. Preguntei o motivo pelo qual ele não iria aderir a greve. Então veio um banho de ceticismo.

Aquele momento não parecia mais a hora de mudanças. Parecia que a greve iria acontecer pela minoria, se acontecesse. O presidente se pronunciara na noite anterior chamando a decisão do sindicato dos aeronautas de irresponsável. Justamente um presidente sindicalista, que defendera e organizara várias greves ao longo da sua carreira como oposição de governo. O comissário me dizia que nenhum colega colocaria a "cara à tapa". Se o comandante dizer "vamos embarcar", ai de quem não acompanhasse. E assim, a categoria se mostrava pra mim como um grupo que exerce função igual, mas de união ridícula. Cada um pensava nas retaliações e ambições pessoais, se esquecendo de lutar em conjunto.

Então, eram 5 da manhã e veio a notícia: "Justiça federal proibia greve de mais de 20% dos profissionais aumentando a multa de descumprimento, ao invés de 100.000, para 3 milhões de reais. Na sequencia, todo o esforço de greve parou. O sindicato cancelou a decisão da greve e o dia 23 amanheceu sem mudanças, sem nenhuma paralisação, com os atrasos costumeiros de um período pré-natalino. Funcionários foram assumir seus postos sem alteração salarial e o ministro da defesa declarou a decisão de não paralização, como sensata.

O Brasil continuou o mesmo no final da primeira década do século XXI para os aeronautas e aeroviários. Exigentes companhias e salários longe de serem considerados justos. Mas o pior, mais uma vez o esforço conjunto de ações judiciais e governamentais que ferem o princípio constitucional tornaram inalteradas mudanças sindicais importantes. Uma vez mais o brasileiro preferiu manter o seu do que bater de frente. Dizem que as negociações continuarão. Talvez para manter a tradição de que nesse país, tudo muda com séculos de atraso.

É pena...

Abraço pra você!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Propósito

Fonte: http://pastorgregumc.files.wordpress.com/2010/12/airplane-flight-attendant-552lm100509.jpg


http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=138171&channel=47

Ontem à tarde, navegando pelos fórums sobre aviação, encontrei uma postagem à respeito da entrevista que um comissário da Tam fez ao jornal "Bom dia SC". Ultimamente tenho acessado todas as informações sobre carreira de comissário possíveis. Então, achei relevante dar uma olhada em mais esse vídeo. Durante a entrevista eles comentam sobre o salário e falam um pouco à respeito da escala de trabalho complexa que um profissional desta categoria enfrenta.

Porém, à certa altura eles o perguntam sobre qual seria o motivo que leva alguém a ser comissário de voo. A resposta do entrevistado me deixou surpreso. "A confusão quando você vai entrar para a faculdade". Aparentemente segundo ele, ser comissário é algo que você faz quando não tem mais nada que quer fazer. Será mesmo?

Parei para pensar um instante se o meu caso é esse. Se eu quero ser comissário porque estou confuso. Será que eu decidi seguir essa carreira única e exclusivamente porque não tenho objetivo profissional?

Analisando friamente os últimos seis meses, as iniciativas que eu tomei à respeito da formação como comissário de bordo e dos meus planos atuais, cheguei à conclusão de que esse não seria o meu caso. Posso estar hoje tão empolgado como já estive quando entrei para a faculdade de ciências aeronáuticas, mas meus objetivos são mais sólidos, mais realistas. Não, ao invés de "aceitar" eu realmente quero ser um comissário de voo!

Tive mais uma preocupação com essa entrevista: e se a maioria realmente estiver seguindo o padrão que o entrevistado disse? E se os comissários de voo estão lá apenas por não saberem aonde mais estariam? Se isso for verdade, é uma pena. Ser agente de segurança à bordo de uma aeronave é de suma importância. Mesmo que a maioria dos passageiros não percebam isso e nos vejam apenas como "garçons". Nada contra os garçons, já fui um! Porém no caso de uma despressurização, um pouso forçado ou de emergência, são os comissários quem estarão à frente da situação. Eles serão a ponta de lança no trato com os passageiros enquanto os tripulantes técnicos buscam operar a aeronave, íntegra até o pouso.

Mas eu entendo porque muita gente não percebe que essa tarefa é nossa principal função. Voar é seguro, as fatalidades são poucas - Ainda bem! É apenas na hora que "o bicho pega" que um comissário mostra para que passou por meses de formação e anos de reciclagem. Por isso fiquei decepcionado com a visão do meu futuro colega de profissão. Senti sua declaração verdadeira, porém é uma verdade triste. Espero que existam mais profissionais que encarem o trabalho com mais entusiasmo e objetivo. Eu sei que eu vou. Quero ser reconhecido pelo meu desempenho, pela minha dedicação e principalmente pela minha paixão pela profissão.

Abraço pra você!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Borrão

Fonte: google imagens


Numa madrugada sem idéias eu me deixo levar pela memória. Faz um bocado de tempo que não posto nada - agora mesmo percebi que em 2010, escrevi contando com essa, apenas 3 postagens! Sorte a minha que a paciência do google com blogueiros descompromissados é grande.

E não foi por falta de assunto que eu deixei de postar. Na verdade, não sei direito o motivo. Talvez porque 2010 foi pra mim o ano da espera. Esperei para ver o que aconteceria comigo depois de desistir da carreira de piloto comercial, sonhada por pelo menos dezenove anos. Mas enfim, não pretendo discorrer sobre isso. Se algum dia eu conseguir ver o todo, escrevo à respeito. Nem um ano foi suficiente para que eu visse "a idéia geral" ou o motivo real.

Chegando o fim do ano, tive a impressão que os últimos 365 dias foram um sinal vermelho. Estacionei e assisti à passagem das pessoas pela faixa de pedestre. Fiquei apenas de longe, observando, talvez entretido demais no som do carro, pensando se eu virava a esquina ou seguia em frente, se iria chegar atrasado demais no meu destino... Fiquei apenas aonde eu estava... Por um ano inteiro. Essa foi a sensação.

"Insanidade é você fazer a mesma coisa repetidas vezes, esperando resultados diferentes." Einstein estava certo. Eu comprovei vivendo os mesmos erros, as mesmas expectativas e recebendo respostas iguais. Perdi meu tempo no mundo platônico dos sentimentos, me envolvendo por pessoas que só existiam na minha mente - ao menos a personalidade que eu teimava em perceber e que não era a real. Talvez tenha sido uma fuga para não lidar com problemas maiores, ou seja uma disfunção emocional que tenho que trabalhar.

Tenho receio desses assuntos se tornarem pessoais demais, mas sendo que pouquíssimas pessoas conhecem esse blog, não me preocupo tanto. Espero que assim continue...

Dentro de dois meses eu mudei meu caminho; de faculdade de história para curso de comissário. Ainda não tenho argumentos reais que comprovem ser este um fim mais concreto do que a última área dentro da aviação que eu tentei. Nem mesmo eu tenho mais certeza se chegarei ao final. Não posso mais garantir isso à ninguém. O que me resta é tentar. Tentar alterar minhas desistências, conseguir me virar em termos de dinheiro e me firmar num emprego.

Não é muita coisa e, se comentasse isso numa entrevista de emprego, estaria reprovado. Mas é o que eu tenho. Vontade de mudar, Por enquanto é só... Assim, vou vendo se isso tudo é fogo de palha mais uma vez, ou se essa postagem pode representar o início de algo novo, de um período mais produtivo... É 2011, me dá a chance de mudar que eu tento de verdade dessa vez!

Abraço pra você!