sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Faz tempo...

Fonte: clubecaiubi.ning.com


...Que eu não escrevo por aqui. Pouca coisa mudou.

Eu considero os textos para o blog somente quando são baseados em grandes mudanças, pra não correr o risco de ficar enfadonho. Acabei chegando a conclusão que a melhor maneira de não deixar um blog se tornar chato, é atualizá-lo com mais frequencia, independente de quantas transformações acontecam na vida do autor (levando em consideração o propósito deste aqui).

Também pretendo diminuir drasticamente o tamanho dos textos - assim, cada postagem não se transforma em um livro completo, como tem quase acontecido.

De cara, ainda mantenho os estudos, mas pra um objetivo diferente. A prova teórica de Piloto Comercial que tem me tirado o sono nas últimas duas semanas. E ainda faltam mais duas! E por pior que possa ser o grau de dificuldade ainda não encontrei iniciativa de sentar para estudar por um período de tempo aceitável - umas cinco horas por dia. Pra mim parece mais interessante escrever neste blog, atualizar o twitter ou mexer no orkut.

Dia desses me peguei estudando história antiga. Ainda tenho saudades... Enfim, a rotina monótona está assim pelos últimos três meses. Pra acompanhar neste último mês, a estação de chuvas chegou em BH...

Abraço pra você!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

EGITO - O retorno...

Cairo Intercontinental Citystars (arquivo pessoal)


Na manhã de 13 de julho, de malas prontas, um Big Tasty, um Big Mac Chicken, uma Coca média e passagem aérea na mão, estava admirando a cidade de Sharm El-Sheikh pela janela do ônibus enquanto íamos para o aeroporto embarcar para a cidade do Cairo.

De novo, um Embraer 170 da Egyptair tornou o trecho agradável e em minutos desembarquei no Aeroporto Internacional do Cairo. Sem nenhuma parada para passeios ou compras, cheguei ao Cairo Intercontinental Citystars. O hotel é incrível! Na sucessão de cinco estrelas, esta viagem era fechada com chave de ouro. Não só a área do hotel abrangia seis prédios de mais de vinte andares cada um, como também abrangia um shopping center gigantesco, disposto no formato de duas pirâmides - a terceira era a academia do hotel. Assim que Vera disse "...E o shopping fica aberto até uma hora da manhã...", gritos de empolgação ecoaram pelo ônibus. O almoço seria, lógico - no Shopping. Experimentei meu primeiro Burger King!

Agora entendia por que no último dia o roteiro previa "dia livre". Com um hotel como este, o passeio seria explorar toda a área. E consegui fazer isso durante um bom tempo - meia noite, acessava o messenger de uma loja de eletrônicos, gratuitamente contando para Marcelo, Alessandra e Marina Cunha - grandes amigos - que estava aproveitando o Egito entusiasticamente!

De retorno, agradecemos aos guias Zizo e Vera pela atenção dedicada durante a viagem e por terem sido também amigos que conquistamos e tornaram nossa viagem ainda mais inesquecível. A parte melancólica foi embarcar no voo da Alitalia para Milão e abandonar o Egito. O céu claro torna a despedida ainda mais difícil quando nos vemos se afastando da cidade do Cairo, das pirâmides (sim, pode-se ver com facilidade) e do Nilo.

Chegamos em Milão no início da tarde e passamos seis horas na área do free-shop - um suplício resistir à tentação consumista! Às nove horas da noite, embarcamos no Boeing 777-200 para São Paulo. Onze horas e meia de voo depois, fomos recebidos em Guarulhos por uma fila interminável que levou nada menos que uma hora e quarenta para ser superada. A gripe H1N1 tornou o processo de desembarque ainda pior. Acredito que tenha sido a neurose da epidemia que deixou os funcionários da infraero tão incompetentes. Tive que resgatar minha mala caída ao lado das esteiras de bagagens como se fosse um acidente aéreo - era gritaria pra todo lado! Sete voos chegaram naquela hora e superaram a capacidade do aeroporto. Para mim, ainda restava esperar mais quatro horas até sair o voo para Belo Horizonte. Quando fui recebido pela minha irmã Trícia, o incômodo de terminar uma viagem incrível de maneira um tanto trágica passou imediatamente.

Quando me perguntam "E a viagem?" é tanta coisa que tenho à responder... No entanto digo simplesmente: Foi um sonho realizado.
De fato!

Abraço pra você!

EGITO - Sharm El-Sheikh

Mar Vermelho (arquivo pessoal)


11/07/2009 - SÁBADO

A maioria dos países têm esta cidade que é considerada praticamente "fora da nação" ou "cidade do mundo". Normalmente trata-se da maior cidade, como São Paulo é para o Brasil. No Egito, ela nem é a maior cidade nem fica às margens do Nilo. Sharm El-Sheikh é um lugar paradisíaco e destino de uma massa européia ansiosa por curtir a estação mais quente do ano às margens do Mar Vermelho. Um balneário turístico desenvolvido ainda sob a ocupação israelense da península do Sinai, Sharm é um local repleto de representações das maiores redes hoteleiras do mundo. Seria a última cidade que aproveitaríamos no pacote Brasileiros no Egito e ainda bem que foi deixada por último. Nada tem a ver com as cidades-relíqueas da história egípcia. Não existe nenhuma construção que ultrapasse em história o último século - não na cidade.

Embarcamos em uma manhã ensolarada no aeroporto de Luxor, eu estando extremamente empolgado por finalmente viajar no Embraer 170 - sucesso da Egyptair Express (empresa aérea regional subsidiária da Egyptair) para voos domésticos. O avião tem capacidade para 78 passageiros e dividido em duas classes. Novo e extremamente confortável levou menos de uma hora para transpor a distânicia entre Luxor e Sharm El-Sheikh. Enquanto isso, o deserto e posteriormente, o Mar Vermelho corriam alguns milhares de pés abaixo deliciando os passageiros do Embraer com uma paisagem magnífica.

Tal como o aeroporto de Luxor, o terminal em Sharm é moderno, bem projetado e de extremo bom-gosto arquitetônico. Tivemos problemas apenas com a esteira de bagagens "nervosinha" que quase fez a tragédia nas compras do pessoal da excursão. Depois de embarcar no ônibus, percebi algo que procurava desde que chegara - a placa indicativa do Mac Donald's - Agora sim, estou bem! O motorista fez uma escala rápida no "Roza Mall", um mini-shopping localizado na avenida do hotel em que nos hospedaríamos, para comprar garrafas de água mineral e vendê-las à nós. O mesmo preço de todas as outras cidades o motorista nos fez: duas garrafas por cinco libras egípcias ou um dólar.

Então, chegamos ao hotel Marriot Red Seas. Exatamente do outro lado da avenida, um outro Marriot! E assim era por quase toda a extensão de Naama Bay: de um lado, um Hilton. Do outro, também! Praticamente não vi residências enquanto estive em Sharm.

O check-in no hotel atrasou cerca de uma hora, pra piorar era meio-dia e todo mundo não aguentava mais esperar para ir ao Mac Donald´s, apenas cinco minutos de caminhada do hotel. Aguardamos sem muita paciência e com muita fome até nos serem entregues os cartões de acesso aos quartos. Em comparação com os outros hotéis e ao Royal Mövenpick, a acomodação deixou um pouco a desejar, mas ainda sim era digna de um hotel cinco estrelas. Da varanda do meu quarto avistei a praia lotada de iates e turistas. Bem ali, estava o Mar Vermelho!

Almoçamos e depois exploramos o mini shopping (o mesmo da parada anterior). Lojas de artesanato competiam o espaço com restaurantes, um supermercado e uma lan-house. Pelo menos eu não ficaria sem responder aos e-mails de minha mãe e de minha irmã. Descansei um pouco e fui ao que interessava à mim, Rodrigo, Mia e Sol - saber aonde ficava o clube Pacha e que horas seria a festa neste sábado!

Recuperados da viagem e da piscina, depois do jantar fomos à pé ao local indicado na recepção do hotel. Quado cheguei, lembrei no instante a "Passarela do Álcool" de Porto Seguro. Esta, no entanto era ao menos cinco vezes maior. Uma grande alameda aonde no lado direito ficavam vários bares beduínos com tapetes cercando um quadrado que seria, para nós ocidentais, as "mesas". No centro, um narguilé abastecido frequentemente e tudo isso animado pelos dançarinos/garçons de cada bar. Já no lado esquerdo da alameda, várias lojas para todos os preços. Aqui não existiam ambulantes, no entanto os funcionários dos bares beduínos praticamente te arrastam para dentro e não há "La, Shokram" (não, obrigado) que te salve!

No estande da boate Pacha, perguntamos qual era a atração da noite. O rapaz descreveu a programação, horários e preços (30 dólares no dia) e nos perguntou se gostaríamos de conhecer o lugar antes que abrissem. Mais que depressa estávamos acompanhando ele! Dançamos até as três horas da madrugada um House Fino que agitou a multidão de turistas, na maioria europeus. Se houvessem dez egípcios, era demais. Pessoalmente achei os europeus um tanto bobalhões ao "se jogarem na balada". Em comparação com os brasileiros eles têm algumas manias nada convencionais - como subir na caixa de som em multidões e ficar acenando para todos e ninguém. Se bem que algumas festas brasileiras em que fui, encontrei comportamentos similares...

Mesmo sendo três da madrugada, a alameda e os bares beduínos ainda "ferviam" quando passamos para pegar o taxi de volta ao hotel.

12/07/2009 - DOMINGO

Lá, tinha o nome de "snorg". Até cheguei a tentar lembrar certa hora, mas saiu apenas "Snow Board". "Como assim, Snow Board em pleno deserto do Sinai, Rani?!" Pois é, percebe-se claramente que não sou uma pessoa muito ligada à atividade esportiva... Porém, na manhã de domingo, o passeio opcional incluía três zonas de mergulho na costa do Mar Vermelho. O transporte - um iate nada humilde!

Embarcamos próximos à cidade de Sharm El-Sheikh depois de passar exaustivamente o protetor solar que permitisse um dia todo sem o risco de queimaduras, sob o sol no Egito. A primeira escala foi feita depois de trinta minutos de navegação por um mar de azul estonteante. À pedido do guia, colocamos a máscara e os pés de pato. Nunca fiz algo parecido. Faziam anos que eu não entrava sequer em uma piscina! Ainda assim, mergulhei na água inicialmente fria para admirar a paisagem submersa. Depois de acostumar a respiração em um simples tubo de plástico, fiquei mais tranquilo para explorar a imensidão de corais. Peixes de todas as cores e vários tamanhos competiam espaço com os visitantes. De início, apenas o nosso barco. Em pouco tempo chegaram mais quatro e a área ficou um tanto "engarrafada".

Assim aproveitei um domingo memorável - mergulhando no Mar Vemelho. Coisa que jamais vou esquecer e recomendo para que todos que forem ao Egito, que insistam em fazer este passeio! Vale muito - palavra de um sedentário convicto!

13/07/2009 - SEGUNDA-FEIRA

Levantamos cedo para o segundo passeio opcional e o último da viagem. O Mosteiro de Santa Catarina.

Saindo de Sharm El-Sheikh, o ônibus atravessa a península do Sinai em direção ao centro por três horas. A paisagem raramente sofre alteração, então mesmo quem não é acostumado a dormir em viagens de ônibus (como eu), consegue tirar um bom cochilo. Desta vez, não havia necessidade de escolta militar - ainda bem, eu já estava farto de ver policiais egípcios!

A primeira visão é de uma construção encravada na rocha de um monte gigantesco - e famoso: O Monte Sinai. Aquele mesmo da história bíblica de Moisés. Os cristãos egípcios construíram o mosteiro durante a ocupação bizantina e o mantiveram durante os sucessivos séculos de governantes islâmicos. Foi exigida a construção de uma pequena mesquita para que os cristãos continuassem exercendo sua fé no local. Diz a lenda que Santa Catarina, uma mulher de Alexandria foi executada por não ter abandonado a fé cristã. Então, depois de séculos e após terem construído o mosteiro, um religioso recebeu em sonho a instrução de buscar um corpo perto dali, em uma colina. O corpo achado intacto era o da própria Santa Catarina. Foi trazido para o mosteiro que recebeu o seu nome.

A entrada dos turistas, recebidos (é lógico) pelas lojinhas e ambulantes é bem antes de aonde fica o mosteiro. Tivemos que caminhar dez minutos debaixo do sol até chegar na entrada. No caminho as crianças insistem para que os turistas comprem algumas pedrinhas e levem uma recordação do Monte Sinai. Eu fui mais prático e peguei uma no chão mesmo! Alguns camelos para o passeio também ficam "em exposição".

Não é possível entrar vestindo bermudas ou blusas decotadas. Para aqueles que não aguentavam andar no calor do Sinai de calça comprida - como eu - eles fornecem uma túnica para que sua visita não seja impedida. Lá dentro, uma sala repleta de crânios dos "antigos residentes" dá arrepios até na alma! Algumas representações ainda bem-conservadas de santos e a segunda maior coleção de iluminuras. Além disso, dizem que se encontra a sarça ardente, na qual Deus apareceu para Moisés. Se for ela mesmo, trata-se de uma planta nada formosa. Uma amiga queria levar de recordação para casa, um ramo da sarça. O máximo que ela conseguiu foi um corte na mão de tantos espinhos que a planta tem!

Acompanhei Guilherme e Tatiana até um passeio pelo Monte Sinai. Descobrimos que provavelmente Moisés tenha levado vários escorregões nos quarenta dias que lá ficou. Sorte dele que não haviam nenhum ambulante vendendo pedras insistentemente. A vista do mosteiro, no entanto compensa o esforço. Pude tirar belas fotos.

De volta ao ônibus, enfrentamos mais três horas até Dahab, cidade situada às margens do Golfo de Aqaba. Paramos para um almoço não muito satisfatório. O restaurante era cheio de colares de flores, imagens de (acredito que tenham sido) personalidades históricas da cultura islâmica, mosquitos e gatos. A comida estava péssima e ninguém conseguiu terminar metade das porções que haviam pedido. A única compensação era a vista - logo do outro lado do mar de azul límpido, a costa da Arábia Saudita. Em votação unânime, abandonamos o restaurante para tomar sorvete. Nada como um convencional Magnum da Kibom (lá era outro nome) para mascarar uma experiência gastronomicamente desapontadora...

De volta à Sharm El-Sheikh e ao Marriot, depois de um bom banho e um jantar apetitoso, combinei com Vera, Rodrigo, Lucas e Alex de passarmos mais uma vez pela "Passarela do Álcool de Sharm". Foi um passeio breve, uma despedida daquela cidade-hotel tão agradável e tão modernamente egípcia. No entanto, não podia tardar em dormir. No dia seguinte, seria a hora de dizer adeus à Sharm El-Sheikh.

EGITO - Alto Egito

Pôr-do-Sol em Aswan (arquivo pessoal)


07/07/2009 – TERÇA-FEIRA

Sentar na poltrona do corredor pode ser um alívio para aqueles que têm medo de altura. Pra mim, foi um verdadeiro suplício! Os sessenta minutos que separaram o vôo no Boeing 737-500 EgyptAir do Cairo para Aswan, foram muito desconfortáveis. No caso dos boeings, geralmente são dois passageiros que separam quem ficou sentado na poltrona do corredor da janela. Ou seja, na maior parte da viagem você não sabe o que está acontecendo. Pra mim, ficou provado que acompanhar a decolagem da “janelinha” não é apenas prazeroso, como uma condição para manter uma boa saúde. Neuroses, eu sei. Mas cada um tem as suas!

Eu reclamo, sempre que posso a respeito do serviço de bordo pobre que as companhias aéreas domésticas brasileiras estão se acostumando a nos oferecer. Só que neste trecho egípcio, o serviço de bordo foi ausente! E ainda havia separação de duas classes. A vantagem de voar na executiva era apenas uns cinco centímetros de espaço para as pernas a mais e um chá, servido antes do taxi.

Chegamos a Aswan às nove e meia da manhã. O sol já superava em aquecimento, o “sol de meio dia” que nós estamos acostumados. Seguimos para um rápido passeio pela represa. Criando o Lago Nasser, a represa de Aswan controlou desde que foi construída, a subida das águas do Nilo que causava às vezes, destruições por cheias exageradas e secas nas cheias breves.

Seguimos para um atracadouro (bem guarnecido de ambulantes) para embarcar numa lancha que nos levaria ao Templo de Ísis. O chamado “Templo de Philae” ficava antes, em uma ilha com o mesmo nome. No entanto, quando o Lago Nasser foi construído, ele seria submerso se não fosse feito um esforço em escala internacional a fim de salvar os templos que estariam ameaçados. Philae era um deles. Foi recortado em blocos e transportado para outra ilha próxima. Lá, foi remontado e hoje se apresenta como uma das construções mais bem conservadas do Egito. Data do período greco-romano e abrigou a última comunidade remanescente da antiga religião egípcia (Kemetismo) até meados do século VI, quando foram expulsos e perseguidos pelos cristãos.

É impressionante ver pilones e colunatas ainda sustentando boa parte de um passado majestoso, de beleza incomparável. Os pássaros transformam o templo em um recanto de tranqüilidade, mesmo com a quantidade de turistas em visitação.

Após o Templo de Ísis, fomos recepcionados por uma turba de ambulantes (Un dólar, un dólar! VINTE E CINCO “par” um dólar!). Só vai achar exagero quem não estava lá (Brasil?! BRASIL?! Kaká! Ronaldo!). A situação ia evoluindo de maneira tão dramática (Pictures and maps “en español!” Brasil?! BRASIL?! Kaká! Ronaldo! Robinho...) que começamos a correr até o ponto de encontro. Para a nossa desagradável (Um dólar! Um dólar!) surpresa (VINTE E CINCO...) o ônibus não estava lá. Olhamos para trás e nada podia ser feito... Fomos alcançados!

Era horário de almoço e a população de Aswan havia se recolhido nas casas e apartamentos. “Pelo menos eles sabem o calor que agüentam!” – Pensei aliviado. Para o nosso grupo, era hora de embarcar no cruzeiro Royal Mövenpick. A recepção incluiu toalhas umedecidas, sorvete (à ser cobrado) e um bom ar-condicionado!

Abrindo a porta da cabine, fiquei de frente com uma das melhores vistas que já tinha tido: o Nilo corria calmo logo ali, do outro lado do vidro de minha janela. Mais um momento em que tinha certeza de que meu sonho estava sendo realizado “de com força”! O almoço estava incluso na acomodação do cruzeiro, bem como o café da manhã e o jantar. Todas eram refeições “bááááárbaras”, como diria Vera.

Depois de um breve descanso, no final da tarde (aqueles que não dormiram) fomos fazer um passeio de feluca (barco típico de transporte e pesca no Nilo) ao longo da cidade de Aswan e a ilha de Elefantina. O passeio foi magnífico! A feluca se deslocava apenas com a força do vento, sem nenhum ronco de motor interferindo no canto dos pássaros e no som que ainda se mantém um tanto camponês nesta parte do país. A certa altura, nos mudamos para a lancha e contornamos Elefantina, uma ilha que tem construções tão antigas que datam do reinado de Kéops! Rose, uma campinense adorável tentou tirar algumas fotos, mas o sol não colaborou nem com ela, nem comigo.

De volta ao barco, só nos restava dormir um sono breve, já que as 2:30 da madrugada estaríamos de pé, para embarcar em três horas de viagem pelo deserto rumo à Abu Simbel.

08/07/2009 – QUARTA-FEIRA

Depois de dormir algumas horas, ainda era cedo para servirem café da manhã no barco. Porém, foram entregues "kits" com pães, pepinos e bananas - algo bem leve para uma viagem de ônibus veio à calhar, ninguém gostaria de manchar o passeio com um episódio indigesto. No final das contas, os kits ficaram intocados porque o pessoal ainda estava sonolento.

Esperamos o conjunto de carros se formar próximo a um dos postos militares e começamos a travessia no deserto ocidental rumo à Abu Simbel. Três horas de bônus para dormir, acordei quando o sol levantou no horizonte de aridez infinita do deserto egípcio. Mia conseguiu algumas fotos do espetáculo. Agora com apetite e sem sono, consegui aproveitar meu café da manhã.

Chegamos a uma cidadezinha próxima à falésias e montes de pedra. A paisagem era menos plana que pensei, o que indicava estarmos perto ao Lago Nasser. De fato, mais alguns minutos o ônibus parou junto à área turística. Banheiros, lanchonetes e claro, vendedores! O Egito investe peado no turismo, tudo era bem conservado e moderno.

Caminhamos um pouco para dar a volta nos montes em que foi gravada a fachada do templo principal de Ramsés II, então Abu Simbel apareceu aos poucos, no sol dourado que iluminava a grande fachada. Não faltaram exclamações. O templo é de tirar o fôlego. Ainda mais sabendo que, se não fosse pelo esforço de organizações internacionais, ele ficaria debaixo das águas do Lago Nasser! Foi cuidadosamente “recortado” e “colado” da mesma forma que fizeram com o Templo de Ísis. E agora víamos o resultado empolgante – um templo com mais de três mil anos extremamente bem conservado, dando seu testemunho de uma época magnífica.

"E porque deixaram a segunda estátua no chão, depois do terremoto que a derrubou?" Alguns me perguntaram isso. Pensei que mais de mil anos depois de construído, durante a dominação macedônica do Egito, os Ptolomeus pouco se importariam em reconstruir um templo faraônico tão pouco teriam a tecnologia necessária para remodelá-lo.

Apesar de insistirem para que os turistas não tirassem fotos no interior do templo, um ousado americano desrespeitou a regra. Resultado: Teve de apagar as fotos tiradas na frente de todos os outros visitantes. Confesso que senti uma ponta de satisfação. São monumentos que já estão arriscados a serem destruídos pelo tempo, não precisam de uma "mãozinha" da tecnologia atual para mandá-los de volta ao pó.

Imediatamente após a visitação, voltamos à Aswan pela rota no deserto - mais três horas de ônibus. Desta vez resistente a dormir em carros ou não, sucumbi ao sono. Ainda bem! Ao embarcarmos no barco, este zarpou pouco antes do meio-dia descendo o Nilo em direção ao nosso destino de final da tarde - o templo de Hórus e Sobek em Kom Ombo, alguns quilômetros ao norte. Chegamos no final da tarde.

As sete horas da tarde, com o sol ainda no horizonte saímos do barco para a visita do edifício construído na época ptolomaica (séculos IV ao I a.C) para ser o lar de dois deuses. Simétrico, uma parte era dedicada ao Deus-Falcão Hórus e a outra ao Deus-Crocodilo Sobek. Algumas múmias de crocodilo foram mesmo sepultadas neste templo das quais restam aqui apenas o fosso aonde eram guardadas. O que foi encontrado pelos estudiosos, foi levado aos museus.

Saindo do templo, resolvi comprar a vestimenta típica chamada "shilaba". Uma túnica feita de algodão que cobre seu corpo da altura dos ombros aos tornozelos. Arrependi de não ter conseguido barganhar uma sandália, viria a descobrir depois o quão ridículo fiquei com uma roupa tradicional e tênis!

09/07/2009 – QUINTA-FEIRA

Acordei com o barco navegando rumo à Edfu. Chegamos por volta do meio dia no último destino antes de atingirmos a capital do sul - Luxor. Em Edfu, o único passeio tratava-se do Templo de Hórus. Porém iriamos até o local num veículo nada convencional, ao menos para os padrões ocidentais - uma charrete. E por ironia, o condutor chamava-se Ali Baba! Alguns minutos de trânsito incluindo pedestres, animais de tração, de estimação, charretes e ainda por cima carros, chegamos ao templo.

Mesmo nos livros de história não previ entrada tão imponente. Os pilones são superados apenas pelos de Karnak em tamanho. Algumas estátuas de Hórus representado como falcão ainda podem ser admiradas nas entradas do templo. Ainda bem conservado, notei um fato curioso - alguns cartuchos aonde deveriam estar gravados nomes dos soberanos da época, os Ptolomeus, estavam vazios! Segundo Zizo, tratava-se de uma forma de protesto dos egípcios do sul, quanto à instabilidade do governo de Alexandria. Alguns Ptolomeus reinavam por três, cinco anos até serem destronados por seus irmãos e retornavam ao controle do país após um ou dois anos.

Apesar disto, a construção ostenta uma magnitude rara de ser vista atualmente.

Voltamos ao barco debaixo dos protestos dos condutores de charretes - nenhuma quantidade de gorjeta parecia ser suficiente para acalmar o ânimo deles! Então, saíamos de perto mesmo sendo vítimas de expressões de incredulidade - talvez até alguns xingamentos em árabe. Zizo nos alertara para que este tipo de aborrecimento aconteceria. Na segurança do Royal Mövenpick, zarpamos de Edfu às três horas da tarde. Achei uma boa oportunidade para experimentar a piscina e admirar a paisagem enquanto navegávamos Nilo abaixo.

Coberto de protetor solar fator 50 (nenhum fps a menos!), observei deslizarem as tamareiras que compõem grande parte da paisagem da planície fluvial, cedendo espaço no horizonte para as montanhas do desero ou as dunas de areia. Algumas aldeias, outros barcos em cruzeiro no sentido oposto e ainda por cima, ao passarmos por duas eclusas os negociantes! Realizavam as ofertas de toalhas jogando-as no convés enquanto o barco se aproximava da eclusa. Se o turista resolvia ficar com a toalha, eles jogavam uma sacola com pedras para colocar o dinheiro - claro, depois de muita barganha! Me diverti ao ver Rose e Solange negociando com um ousado mercador por alguns quilômetros ao longo do Nilo. Eles ainda vêm preparados - para acompanhar o percurso do barco, fazem uso de lambretas e circulam livremente (e perigosamente) nas eclusas.

A tarde estava terminando quando acostamos na cidade de Luxor. Tive a minha primeira vista do famoso Templo de Amón. Aprontei-me para acompanhar meus amigos em uma visita ao museu de Luxor. Vale destacar que, apesar de não estar inclusa no pacote a visita é mais compensadora que a do Museu do Cairo. As peças estão melhor expostas, com referências e nem por isso são menos famosas. Banquei um guia particular com o maior prazer nas duas horas que passamos lá dentro.

De volta ao barco, era hora de nos vestirmos para a festa egípcia. Depois do jantar, descemos à caráter ao salão de estar do Royal Mövenpick e encontramos o espaço praticamente vazio! Os americanos não ficaram nem meia hora e nós, brasileiros estávamos apenas começando a fazer nossa festa. Os egípcios à bordo foram excelentes companhias. Os garçons se transformaram em professores de dança. Em pouco tempo, formamos uma roda em que no centro, as moças já acostumadas à dança do ventre mostraram seus talentos enquanto os outros as rodeavam dançando e batendo palmas. Os brasileiros tomaram o controle em pouco tempo da animação à bordo. Não é atoa que os egípcios sorriem quando nos escutam dizendo que somos brasileiros. A animação e hospitalidade são nossos pontos em comum - definitivamente!

Uma hora da madrugada e nem sentia sono. Me juntei à Rodrigo, Alex e Mia no convés da piscina para uma "proza after". Porém, era melhor não estender. Às sete da manhã estaria de pé para conhecer as duas margens do lugar que, antigamente era a famosa cidade de Tebas - capital do império egípcio e domínio do Deus Amón-Rá.

10/07/2009 – SEXTA-FEIRA

Passava pouco mais de seis horas da manhã quando o sol nasceu na margem oriental de Luxor. Sentado no convés da piscina, eu e Vera admirávamos a paisagem e conversávamos sobre o quanto nos sentiamos privilegiados em estar ali. Praticamente a mesma vista deslumbrante foi captada pelos olhos de Ramsés II, Tutmósis III, Hatchepsut e outros governantes que admiro. Primeiro, tudo parece coberto de um azul claro e opaco. Então, o sol toca o cume que domina o Vale dos Reis. De forma piramidal talvez tenha sido esta a razão que os reis do chamado Novo Império escolheram o local como necrópole. Então a luz solar começa a se espalhar colina abaixo. Como um egípcio diria, Rá está novamente sobre a terra e a ordem universal não será quebrada - mais um dia na lista de milênios de civilização ao longo do Nilo.

O ônibus cruzou o rio pouco ao sul de Luxor, indo direto para o Vale dos Reis. Escavadas na rocha, as tumbas de dezenas de monarcas sobreviviam aos milênios num local árido, de difícil acesso e tão vigiado como na antiguidade. Os medjay (a guarda de elite faraônica - sim, aqueles que aparecem no filme "A múmia") foram substituídos na atualidade pelas forças policais. Na entrada, uma maquete com a localização de cada uma das tumbas descobertas dominava o salão principal.

Fomos conduzidos à entrada do vale por um carro e tivemos de nos desfazer das filmadoras antes de entrar. Somente fotos são permitidas da área externa. Dentro dos hipogeus, nem pensar! O ingresso permite a visita de três tumbas. Zizo nos informou que já estavam definidas as que visitaríamos - Ramsés IV, Ramsés VI e Ramsés IX. Acompanhei o grupo extremamente desapontado. Gostaria muito mais de ver outras! Estes três Ramsés são meros figurantes na história do Novo Império. Foram reis medíocres, incapazes de manter sob controle o clero de Amón - na época, mais forte que o poder central. Fizeram a decadência da monarquia faraônica e jogaram o país em um período de instabilidade do qual o Egito jamais se recuperaria. Acabei entrando nas tumbas, já que as de Sethi I e Ramsés II passavam por trabalhos de restauração. Se existe um momento que não gostei durante a viagem, foi sem dúvida este.

Saindo direto da aridez do Vale para um local não muito distinto - Deir El-Bahari, local aonde foram construídos três templos funerários: o de Mentuhotep II, rei que unificou o Egito no século XXI a.C e fundou o Médio Império; o do faraó-mulher Hatchepsut e do seu sucessor e enteado, Tutmósis III. Dos três, o que mais se conserva é o de Hatchepsut. Construído provavelmente em 1460 a.C, celebrou uma das maiores realizações do reinado deste personagem. Uma viagem à Terra de Punt (a região da Somália e Etiópia para os antigos egípcios). Nas paredes são representadas, dentre outras cenas o transporte de árvores inteiras de incenso nos barcos faraônicos enviados ao longínquo país. Mais uma lista de presentes e personalidades curiosas que acompanharam a viagem.

São duas sequencias de rampas até chegar ao topo do templo. Muitos se decepcionaram ao subir, debaixo do sol escaldante uns bons metros e encontrar apenas uma pequena fachada. Segundo Guilherme, Hatchepsut teve atenção especial na sua arquitetura aos cadeirantes construindo rampas. Nem mesmo as piadas deixaram a caminhada menos cansativa. Porém visitando os setores laterais do templo, pode-se encontrar ainda alto-relevos que conservam cores originais em representações belíssimas das divindades adoradas pela rainha-faraó e sua empreitada à Terra de Punt.

O último local de visita da margem ocidental foi a antiga fachada do templo funerário de Amenhotep III. Não existe mais templo algum e as únicas testemunhas são dois gigantes de pedra, sentados admirando o Nilo passar pelomenos nos últimos quatro mil anos. Conhecidos como "Os Colossos de Memnon, as estátuas de Amenhotep III estão bastante danificadas e mesmo assim impressionam qualquer visitante. Receberam este nome nada Egípcio devido ao ruído característico que emitiam conforme o vento passava por entre as pedras. Na época greco-romana, assimilaram este ruído ao lamento de Eos, mãe de Memnon - um rei etíope que ajudou o rei Príamo de Tróia na defesa da cidade até ser morto por Aquiles. Restaurado ainda na antiguidade, o colosso deixou de emitir o lamento ha séculos. Nem aos pés do grande Amenhotep, os ambulantes nos deixaram em paz!

Atravessamos o Nilo de barca que, segundo alguns mais parecia um bordel pela decoração nada discreta - cd's, faixas vermelhas, arranjos florais e motivos geométricos além das confortáveis almofadas. Aportando na margem oriental, bem em frente ao Templo de Luxor passamos à visita mais quente do dia. Edificado por Amenothep III e Ramsés II, o templo ainda resiste em boa parte da estrutura talvez ajudado por ter sido sepultado pela areia durante séculos. Algumas partes ainda foram depredadas pelos cristãos do primeiro milênio e outra parte central do templo desapareceu debaixo de uma mesquita.

Porém, a antiga festa que era realizada entre os dois maiores santuários do Egito antigo sobreviveu. A Festa de Opet, durava cerca de 70 dias nos quais a estátua coberta de Amón era levada em de Luxor para Karnak, encontrando sua esposa, a Deusa Mut. Durante o encontro dos Deuses, a população de Tebas festejava. Hoje, a procissão acontece pelas ruas da cidade de Luxor, carregando a imagem do fundador da mesquita construída no Templo de Luxor. Somente não deve durar tanto quanto a festa de Opet... Uma pena, pois os egípcios sabem muito bem dar uma festa! - Ainda guardava na memória a noitada anterior...

De volta ao Royal Mövenpick, almoçamos e descansamos o que pudemos. A tarde nem havia terminado quando atravessamos o pátio de entrada para o Templo de Karnak. Tinha notado na bilheteria, uma maquete impressionante mostrando como era o primeiro Estado Religioso do mundo.

Karnak sobrevivia autonomamente, somente os faraós ditavam as ordens aos sacerdotes do Deus do império (às vezes, a situação nem era tão hierárquica assim). Por diversas vezes na história houveram desacordos entre o poder dos altos sacerdotes e do rei. Ambos travavam negociações (e, para infelicidade do país - guerras). Esta autonomia foi um fator preponderante na queda da monarquia faraônica - uma vez que o sul se autoproclamou autônomo, tendo sob sede o Templo de Karnak e como governante, os sacerdotes de Amon.

A fachada está assimétrica, mas não é devido ao tempo. Karnak cresceu durante mil anos e ainda estava se expandindo quando os persas invadiram o Egito, em 532 a.C. Os novos governantes não quiseram patrocinar as obras dos antigos reis e deixaram a entrada inacabada. Sucessões de salas de pedra, corredores de colunatas, estátuas e obeliscos transformam Karnak no testemunho de que os antigos construtores foram bem-sucedidos no seu intento - fazer com que a morada dos Deuses resistisse ao tempo e atravesasse milênios. Mesmo em ruínas, a grandeza do domínio de Amon assusta e apaixona.

Terminamos a última visita dita "de antiguidade" e fomos levados à loja de essências. Zizo prometera a alguns que nos levaria para conhecer algo que os egípcios se orgulham de produzir - os mais exóticos aromas do oriente. O vendedor nos apresentou essências diversas. Algumas medicinais, outras com propriedades estimulantes (sim, sexualmente falando. Diziam para que as mulheres aplicassem massageando no "Alto" e no "Baixo Egito" enquanto outras serviam ao homem para aplicar no seu "obelisco"). Nos ofereceram um chá refrescante e massagem gratuita. Depois de um dia cheio de passeios, a idéia era simplesmente estupenda!

E o sol se pôs, pela última vez aos meus olhos na margem ocidental de Tebas (parece mais fácil se referir à Tebas do que à Luxor)...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

EGITO - Cairo

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música: Miles Away - Madonna e fotos: Arquivo pessoal

Descrever o aeroporto Internacional do Cairo é uma tarefa, no mínimo difícil. Imagine um lugar que parou na década de 70, repleto de mulheres com vestindo, não somente lenços para cobrir o cabelo, mas burcas negras que não cobrem apenas os olhos e os dedos dos pés. Crianças competindo qual chora mais alto, funcionários roliços caminhando com dificuldade pelo calor de mais de quarenta graus, todos estes personagens compondo uma fila de controle de passaporte que ultrapassa facilmente trezentas pessoas. Sim, talvez agora você tenha uma idéia de como é o desembarque no Cairo.

Bom, esta foi a impressão que eu tive ao desembarcar. Os guardas da alfândega são mal-encarados em qualquer lugar do mundo, reconheço. Porém, o Egito é cheio de guardas, em todos os lugares! O aeroporto foi apenas uma apresentação do que iria ser presença constante no resto da viagem – um policial em cada esquina.

Outra curiosidade que foi percebida de cara, ao menos por aqueles que tiveram a coragem de fazer uso do banheiro, é a generosidade nada gratuita dos egípcios. Eles dão a descarga, oferecem o papel para enxugar as mãos, abrem e fecham a torneira (provavelmente até balançam o..., se você deixar), a um custo de uma bakshish – gorjeta. Neste pedaço do mundo, a moeda é extremamente desvalorizada, então se você der um dólar de gorjeta, você deixa pra trás um sorridente e extremamente agradecido habitante local.

Porém, nem tudo é novidade pra mim. Uma senhora do nosso grupo teve a mala extraviada. Este foi meu medo desde que a atendente da agência me disse que eu viajaria pela Alitalia. O histórico de malas extraviadas da Alitalia chega a ser alarmante (Alguns dizem até que os anéis de Saturno são formados pelas malas que se perderam nos vôos desta empresa). Não apenas houve uma mala extraviada como também o ônibus que iria nos transladar para o hotel se atrasou em duas horas. Tudo isso envolto numa massa de calor que nunca tinha visto – ainda bem que o sol estava se pondo no horizonte das Duas Terras.

Nem bem chegamos ao hotel Semiramis, Mia convocou a mim, ao Rodrigo, à Patrícia e à Tatiana – mais duas novas (e boas) amizades, para um passeio pela vizinhança. Assim, disse que apenas ia passar uma água no rosto pois se tomasse banho, com certeza não acordaria mais naquela noite.

Recebi as chaves, subi ao quarto e entrei para tirar as primeiras impressões. Que impressões! Como viajava sozinho, estava com um quarto só pra mim. Só não contava com duas camas de casal, móveis finamente decorados segundo o estilo árabe, um banheiro que com certeza seria responsável por um banho “desmaiante” e pra finalizar, quando abri o vidro do balcão, a vista – O rio Nilo corria perante os meus olhos. Chorei de emoção. Quantos anos eu sonhava em vê-lo. E a surpresa se realizou de maneira cinematográfica, inesquecível.

Saímos do hotel para comer algo da cozinha local. Caminhamos nos quarteirões adjacentes para tentar encontrar algo. Acabamos entrando numa “Pizza Hut”! No meu caso, acreditem se quiser, pela primeira vez na vida. O garçom, os atendentes, todos os funcionários falavam inglês e espanhol melhor que muita gente que eu conheço. É assim em todo o país – todos os egípcios acabam aprendendo estas duas línguas principais e, de quebra às vezes um italiano e um francês, a depender da concentração de turistas no local em que vivem.

Voltamos ao hotel e dormi minha primeira noite no Egito, realizando o sonho da minha vida.

05/07/2009 - DOMINGO

“Good morning! This is your wake-up call. Have a nice day! Tum… Tum… Tum…”

Estas foram as palavras que me despertaram na manhã de domingo, primeiro dia de passeios pelo Egito. Eram seis e meia da manhã. Desci para tomar o café da manhã generoso do hotel Semiramis. Conclui que era um dos poucos que não sofria com os efeitos do fuso horário. A maioria estava com uma cara de sono de dar dó.

Vesti meu chapéu branco (comprovante de turista), mochila da CVC (pra completar o conjunto), suprida com um protetor solar fator 50 e duas garrafas de 600 ml de água e embarquei no ônibus para começar o passeio rumo à Mesquita de Mohammed Ali e a cidadela de Saladino. Ambas as construções remontam à fase de dominação islâmica do Egito, sendo a cidadela, uma fortaleza construída para proteger o Cairo dos cruzados ocidentais.

A Mesquita coroa o topo da cidadela e mesmo tendo quase mil anos de história à menos, completa o conjunto de tal maneira que parece que foi o próprio Saladino que a concebeu. Não se pode entrar calçado nos templos islâmicos (minha meia branca acabou pagando o preço extra da visita), nem deixar os sapatos com as solas apoiadas sobre o tapete da mesquita. O interior é deslumbrante! Um lustre gigantesco suspenso abrange boa parte do espaço central. O teto tem detalhes e representações caligráficas exaltando a glória do Deus dos Muçulmanos. Como de costume, é proibida a representação de figuras humanas.

Saindo da Mesquita, temos uma vista quase completa do panorama cairota, não fosse a densa fumaça de areia, poluição e poeira que cobre o horizonte. Mesmo exposto ao sol, andei pelo pátio aberto para checar se havia alguma vista que fosse mais bela. Eram todas.

Ao sair da cidadela, apresentaram-se diante de nós, os famosos vendedores ambulantes que são personagens obrigatórios de cada local turístico no país. São realmente irritantes e não descansam enquanto não lhe vendem todas as mercadorias, independente da sua nacionalidade ou disposição financeira.

A manhã terminou com a visita ao Museu do Cairo. Pra mim, um dos passeios-chave. Eu ansiava ver de perto todas aquelas peças que só podia admirar nas enciclopédias ou nos programas especiais sobre a civilização egípcia. A fachada do museu me é familiar desde que assisti ao primeiro filme da série “The Mummy”. Avistei-a de longe. Depois de um controle “barra pesada” dos policiais, pudemos andar pelo pátio de entrada. Na posição central, um lago com flores de lótus (alguns mais exaltados queriam levá-las de souvenir) circundava uma esfinge que deveria representar Ramsés II.

Boa parte da área de entrada do museu acomoda inúmeras peças de tamanhos que chegam até quatro metros de altura. É como se um templo houvesse explodido ali e assentaram as ruínas numa ordem semi-caótica.

É proibido entrar no museu portando máquinas filmadoras ou câmeras fotográficas. Deixamos as nossas numa caixa com o guia, antes de entrar pelos portões principais. No interior do primeiro salão, experimentei um misto de euforia e decepção. Euforia por vê-las ali, a paleta de Narmer – o primeiro documento prova da união dos reinos do Alto e Baixo Egito, datando de 3000 a.C, a estátua do rei Djoser, construtor da primeira pirâmide e outras esculturas que almejava admirá-las tridimensionalmente e sem auxílio da tecnologia computadorizada. A decepção veio ao encontrá-las acomodadas de qualquer jeito no meio da multidão de turistas. Somente as peças mais conhecidas apresentavam uma singela proteção de vidro e uma breve descrição. Outras estelas, estátuas e fragmentos de edifícios antigos estavam ao alcance das mãos e sem nenhuma descrição. Fiquei extremamente desapontado com o descaso em se tratando de tesouros arqueológicos tão valiosos.

Outra chateação foi dispor de apenas duas horas para explorar o museu. São 1.200 peças e nem cheguei a ver ¼ delas (levando em consideração que quase todas não possuíam qualquer descrição). Apesar disso, consegui visitar as alas de maior evidência – o tesouro de Tutankhamon (sim, fiquei de frente àquela máscara de ouro que aparece nas capas dos livros que tratam da civilização egípcia) e a sala das múmias reais (faraós da dinastia tebana, 19ª e 20ªs tão conhecidos como os Tutmósis, Sethi I e Ramsés II). Vale à pena destacar que a entrada para as múmias é paga à parte. Quando estive por lá, me custaram 100 libras egípcias.

Seguimos depois do almoço para uma joalheria. Não descreveram passeios em lojas no programa, mas compensa visitar estas por que são vendidos produtos de maior qualidade do que os artigos mostrados pelos ambulantes. Sim, são caros – joalheria é joalheria em qualquer lugar do mundo. Porém, algumas novidades como um pingente representando um cartucho (maneira de representar nomes reais no interior de uma forma circular) com seu nome escrito em hieróglifos. Eu consegui me segurar, por mais difícil que tenha sido...

E para terminar o dia, um passeio pelo bairro cristão do Cairo. Eles seguem a igreja ortodoxa e diferem dos muçulmanos apenas no fato de as mulheres não usarem o véu. No entanto algumas ainda faziam uso deste costume. Acaba sendo mais uma confortável proteção contra o sol que uma forma de opressão. Neste bairro está uma igreja em que, dizem os cristãos, foi construída sobre o lugar em que a Virgem Maria habitou com Jesus quando fugiram de Israel. Também está construída uma sinagoga (a primeira que visitei), cercada por um verdadeiro exército de ambulantes – o que deixa o passeio um tanto cansativo e até estressante.

Voltamos ao hotel à tempo de jantar na cidade. O fast-food da vez foi o Mac Donnald`s. E eles têm um Big Mac Chicken, para a minha satisfação!

06/07/2009 – SEGUNDA-FEIRA

Uma vez mais, o wake-up call veio me tirar do sono às 6:30 da manhã. Uma hora e meia tornou-se pouco para me acostumar ao dia nesta segunda-feira. Achei que finalmente sofria os malefícios da diferença de fusos horários. De qualquer maneira, embarquei no ônibus depois de mais um generoso café da manhã rumo às ruínas de Mênfis.

Antigamente chamada Men-Nefer pelos egípcios, traduzindo-se brevemente por “muros brancos”, Mênfis foi a capital política do Egito desde a fundação, em aproximadamente 3000 a.C. Perdurou em importância econômica por mais de 3000 anos. Somente depois que Alexandria prosperou, Mênfis foi eclipsada. Hoje nada mais restam a não ser ruínas dos templos de Ptah e do Serapeum, um santuário construído para o Deus Ápis. Porém, ao chegar ao local das ruínas, a mais notável é sem dúvida uma estátua de Ramsés II caída devido a um terremoto, medindo 13 metros de comprimento (sem parte das pernas e o final da coroa).

Os ambulantes não deram muita trégua. Depois de Mênfis, fomos até Saqqarah, a mais antiga necrópole real da região Menfita. Desde que o rei Djoser construiu a primeira pirâmide da história, uma sucessão de governantes adotou este local para as suas próprias moradas eternas.

Foi-nos permitido entrar na pirâmide de Titi por ser uma das mais fáceis. Até hoje me lembro de ouvir Solange exclamar: “Minha nossa! Se essa é a mais fácil, imagine as outras!”. É um exercício físico de fato. Os corredores são estreitos e baixos (mesmo as rampas devem medir pouco mais de um metro de altura – se chegarem a um metro.) e apenas as salas oferecem espaço para ficar de pé e andar tranquilamente. Devo lembrar que pirâmides não foram construídas para turistas?

Da primeira construção piramidal feita – a pirâmide de degraus de Djoser, visitamos apenas o pátio em que era celebrado o jubileu de 30 anos de reinado do monarca. A construção ainda está enfrentando um processo de restauração. Recordei-me de propor, quando cursava a quarta série do ensino fundamental, um exercício envolvendo cálculo de ângulos. O exemplo que havia escolhido foi justamente esta pirâmide! As risadas jocosas dos colegas de classe poderiam ter sido até mais enfáticas na época que ainda assim, não me tirariam a felicidade de estar de frente com aquela majestosa obra de arte.

Saímos de Saqqarah, passamos em uma escola de tapetes (duplex com a loja da mesma escola) e apesar de achar os produtos peças de extrema elegância, não tinha como comprar nenhum. Por serem extremamente bem-feitos, também são extremamente caros! Depois, seguimos para almoçar em um restaurante local extremamente curioso. Logo na entrada, uma senhora fazia pães em um forno à lenha e nos dava conforme passávamos por ela. No jardim, vários objetos sem nexo um com o outro – um carro de bois, alguns jarros, tapetes, algumas bugigangas metálicas e uma garota, vestida dos pés à cabeça, sem nenhuma proteção contra o sol a não ser o véu, segurava um papel higiênico!

Almocei um tanto “vaporizado” pelo frango grelhado que serviram – junto com a grelha – bem na nossa mesa. De sobremesa, um doce local similar ao nosso biscoito de coco. Porém, o último prato foi indigesto para a mesa toda. Um músico local começou a tocar incessantemente, bem às nossas costas um instrumento misto de berimbau e violino, produzindo um som inacreditavelmente irritante. O pior foi ele cobrar bakshish para encerrar a apresentação! Enfim, um chato profissional.

Depois do almoço, seguimos para uma loja especializada em fabricar papiros. Enquanto o ônibus circulava pela periferia do Cairo, um aglomerado populacional denominado Gizé, as grandes pirâmides foram aparecendo no meio dos prédios, como se fizessem parte da cidade. E de fato, não há mais separação entre o sítio arqueológico e a cidade.

Na loja de papiros, um dos funcionários explicou todo o processo de fabricação do antepassado de nosso papel. Depois de feito, são gravadas figuras que imitam as representações mais conhecidas: O faraó guiando o carro de guerra, uma procissão de oferendas, cenas de adoração e até mapas do país, retratos do busto de Nefertiti e da máscara funerária de Tutankhamon. Se seus contemporâneos vissem como eles são bem mais quistos hoje em dia...

Então, apenas cinco minutos depois de sairmos da loja, estávamos aos pés da pirâmide de Kéops. Na bilheteria ainda. E lógico, antes de mais um detector de metais. Rodrigo e eu animamos comprar bilhetes para entrar nas duas grandes pirâmides. Só não insisti em visitar também a de Miquerinos, porque ela estava em restauração. O resultado é que tivemos que correr para visitar as duas no tempo disponível. Talvez para quem tenha permanecido na planície, 50 minutos em Gizé possam ser eternos. Para quem se habilitou a entrar nas pirâmides, são instantâneos.

Para quem gosta, vale muito à pena pagar um pouco mais (160 libras egípcias) para entrar nas grandes pirâmides. Quando voltamos ao ônibus, não tive fôlego nem para tirar fotos. Dentro das moradas eternas, não é permitido nem filmar, nem fotografar. Seguimos para o mirante apreciar a vista, tirar fotos nas mais variadas (e divertidas) poses e, para aqueles que se habilitavam, descobrir o que era andar de camelo.

O sol já começava a descer no horizonte quando chegamos aos pés da esfinge. A entrada é feita pelo templo que data do reinado de Kéfren. Alguns egiptólogos acham que a esfinge é mais antiga ainda, porém não foram encontradas provas que tornem esta hipótese verídica. Por estar situada em um local mais limitado que a planície das pirâmides, a concentração de visitantes no local é astronômica. Para variar, nossos amigos camelo(chato)s estavam lá para tornar tudo mais uma aventura em solo egípcio.

A tarde terminou levando consigo o ânimo de boa parte dos participantes destes passeios. Mas a memória agora comportava lugares inesquecíveis. Cheguei ao hotel e, tentei falar pela décima vez com minha mãe e minha irmã. Não conseguia de forma alguma. Decidi acessar a internet para fazer alguma ponte de comunicação. Foi então que recebi a notícia: Meu avô havia falecido no Brasil.

...

Exatamente assim. E ninguém que estava próximo de mim neste instante falava português.

Havia optado por não fazer o passeio noturno para ver o espetáculo de luz e som nas pirâmides. Tanto melhor, não conseguia falar nada. Talvez tenha mesmo sido melhor não haver nenhum falante da língua portuguesa por perto. Não saberia o que dizer...

Voltei ao hotel e não me perguntem qual a rota que cumpri. Não saberia mesmo responder. Ao sentar na cama, chorei muito. Não sabia quando havia acontecido ou como estava minha família. Sabia sim que todos eram muito apegados a ele...

Incluindo eu...

Não demorou muito, minha irmã me ligou para saber como eu estava e tentar esconder, ao pedido de minha mãe, a morte de vovô. Quando atendi ao telefone, perguntei apenas: “Quando foi?” Já se passavam três dias. Tinha sido logo após eu viajar.

Passei uma noite péssima e pedi muito ao meu avô, aonde quer que ele estivesse, que me ajudasse sobre o que fazer numa situação como esta. Ele me ajudou mais que depressa. Não vi quando tinha adormecido... Sei que acordei na manhã seguinte tranquilo, em paz, sentindo a meu avô do meu lado e pronto para embarcar para Aswan.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

EGITO - Cruzeirenses & Alitalia

Foto tirada logo após a decolagem do Aeroporto Internacional André Franco Montoro (Guarulhos)

Como se a ansiedade já não fosse o bastante, eram três horas da manhã em Belo Horizonte e um cortejo ininterrupto de carros “buzinantes”, circulava comemorando a vitória do Cruzeiro Esporte Clube sobre o Grêmio, na longínqua Porto Alegre! Por que diabos a empolgação destes torçedores não era proporcional à distância que separava as capitais mineira e gaúcha?

E às três da madrugada estavam completando quatro horas de fogos, buzinas e gritos. Duas horas de sono depois, acordado ainda cuidando dos documentos para que, diferente da minha experiência inglesa, nenhuma surpresa desagradável me esperasse no aeroporto de Guarulhos.

Começava a viagem...

Às seis e meia da manhã eu, minha irmã e minha mãe entramos juntamente com uma bagagem que só faltou conter eletrodomésticos, à caminho da rodoviária de Belo Horizonte, encontrar com Marina – uma grande amiga minha - para embarcar no expresso Unir, em direção ao aeroporto Tancredo Neves.

Check-in feito assim que chegamos ao aeroporto de Belo Horizonte, eu não modifiquei nenhum hábito adquirido e fui até o terraço panorâmico. A movimentação matutina do aeroporto me surpreendeu. Pra quem lembra o Aeroporto de Confins, entregado às moscas do princípio da década, é uma surpresa bastante agradável deparar com um pátio em efervescente trânsito de aeronaves, das companhias domésticas que servem a capital mineira.

Eram nove e vinte quando o embarque do vôo Tam com destino à Guarulhos foi anunciado. Me dirigi sem hesitar para o portão de embarque e me despedi das minhas duas amigas, Poliana e Marina, assim como de minha mãe e minha irmã. No momento em que passei pelo detector de metais, a fila de embarque já formada, pôs-se em movimento.

O A320 decolou para um céu de inverno com algumas nuvens, antes de continuar a ascensão ao nível de voo. O serviço de bordo de média qualidade da Tam não me impede de comparar com a recém doméstica companhia de Marília que primava pela excelência no atendimento e serviço de bordo, durante a década de noventa... Bons tempos aqueles!

Aterrissagem muito bem feita no Aeroporto de Guarulhos, em menos de uma hora já estava em direção à “Asa A” – um dos setores do extenso aeroporto paulista. Próximo à fila do check-in, encontrei uma senhora com uniforme da agência de turismo que me vendeu o pacote – CVC. Seu nome era Vera e ela me disse que poderia realizar meu check-in sem esperar nenhum tipo de problemas. No entanto, ela me pediu para não demorar a fazê-lo, pois esperava-se uma extensa fila no setor da Polícia Federal.

Escolhi um assento próximo à janela, despachei minha bagagem e corri atrás do Mac Donald`s, exceto que eu não me lembrava em qual “asa” ele estava. Sem um lanche para me “abastecer”, entrei no setor de embarque internacional. Para a minha surpresa, não haviam filas para passar pela Polícia Federal. Tanto melhor!

O Free-Shop do embarque é um tanto “magro”, se comparado aos embarques de outros aeroportos. Ainda sim, melhor que o de Belo Horizonte. Recarreguei meus suprimentos de cartões de memória e fitas para a câmera. Esperei um bocado, resistindo bravamente à vontade de comprar a quantidade de salgados que seria necessária para saciar minha fome por completo. Só para se ter uma idéia, um salgado do tipo pastel assado, vendido na sala de espera de Guarulhos, custa 5 reais. O pastel, quanto ao tamanho, pode ser facilmente classificado como “Woompa-Loompa”. Me rendi ao jogo de volley que era transmitido – Brasil contra Finlândia. Ganhamos, é claro...

Eram 14:30 quando anunciaram o embarque do voo Alitalia com destino à Roma, só então reparei na fila monstruosa, já formada pelos que iriam embarcar no Boeing 777-200 batizado pela companhia italiana “Madonna Di Campiglio”. Não conhecia ninguém ali até então. Ao entrar na aeronave, tomei um certo cuidado para não atropelar nem ser atropelado durante o processo de acomodar as bagagens de mão. Se arrependimento matasse... O lugar próximo à janela era o menor da fileira composta por três assentos. Tendo em mente um vôo com onze horas e meia de duração, suspirei conformado e tomei o meu lugar.

Quarenta minutos depois, o Boeing percorria em velocidade crescente a pista de Guarulhos, flexionando as pontas de suas asas até levantar o nariz, majestosamente elevando-se para cruzar a camada baixa de nuvens que encobria o aeroporto. Até ultrapassar essa camada, a subida manteve-se um tanto tremida, mas não chegou a ser desconfortável.

Durante o voo, descobri que meu vizinho de assento também era meu companheiro de excursão – Rodrigo. Conhecemos um ao outro, conversamos sobre os motivos que nos levaram a estar naquela viagem, quais eram as expectativas que ambos tinham sobre o Egito e assim transcorreram as seguintes onze horas e trinta minutos.

Às cinco e meia da manhã, o sol iluminou o Mediterrâneo abaixo de nós. Sobrevoávamos a costa da ilha de Sardenha, lugar em que o 777 começou a descida para aproximação no Aeroporto Leonardo DaVinci – Fiumicino, em Roma.

O desembarque aconteceu a céu aberto. Rodrigo e eu nos encontramos com Marici (Mia) – uma amiga de Rodrigo. Eles haviam se conhecido pela internet, antes da viagem. “De quebra”, conhecemos também o pai de Mia e sua irmã, Solange (Sol).

Desembarcar sob um calor de 30 graus às seis e meia da manhã e encontrar uma alfândega que poderia ter neste instante, dois mil passageiros (sem exageros), não era nada tranqüilizador.

Alguns companheiros mais foram aparecendo e se tornando familiares. Enquanto isso, fazíamos planos para aproveitarmos o Cairo. Não consegui um cartão telefônico para ligar para casa naquele terminal. Segundo me explicaram, teria que converter em Euros, 100 dólares apenas para comprar o tal cartão que, segundo meus novos amigos, consumia-se rapidamente apenas nas tentativas.

Passamos toda a manhã no aeroporto até sermos chamados para embarque em um Airbus A321 com destino ao Cairo – finalmente! Às 14:21, faltando apenas 9 minutos para a partida, o comandante nos avisou que haveria um atraso de uma hora e meia, devido à uma greve de controladores de vôo na Grécia. E o calor italiano não melhorou nada neste ínterim. Tivemos até mesmo um alarme falso de gripe A, quando uma passageira passou mal e a aeromoça, descobrindo que ela viera de São Paulo, correu até a cabine para avisar o comandante, este chamou em seguida um grupo de paramédicos!

Mais cedo do que o esperado – mesmo com a confusão da gripe A – decolamos uma hora depois. O voo já durava três horas e vinte quando distingui pela minha janela, o contorno do delta do Nilo junto ao cintilante azul do Mediterrâneo. Estávamos sobre território egípcio! Pouco depois pousamos no Aeroporto Internacional do Cairo, cercado pelas areias do deserto. Uma lufada quente de boas-vindas me recebeu nos meus primeiros passos em solo egípcio!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

EGITO - Prólogo

fonte: google imagens

Finalmente depois de três meses de espera, o dia da viagem chegou!

Foi tempo mais que suficiente para a preparação dos papéis necessários, algumas confusões com troca de horários de voos e companhias aéreas, sem contar os comentários desanimadores à respeito da "nova gripe" ou o acidente envolvendo o voo da Air France 447. Eu consegui sobreviver a tudo isso (e o mais importante, consegui sobreviver à minha própria ansiedade que dura mais de 112 dias!) e espero sobreviver à arrumação da mala... Este momento crítico resolvi adiar para os últimos instantes - não do último dia! - Mas das últimas 50 horas.

Li o máximo de blog's sobre pessoas que foram, desta vez perguntei à alguns como é o clima, a comida e espero estar indo prevenido. O Egito tem sido parte das minhas paixões desde sempre. Competiu de perto com a carreira de piloto, mas resolvi manter como passatempo. Mesmo assim, sem dúvida será a viagem da minha vida. Aquele país que, se fosse pra escolher apenas um que eu visitaria em toda a minha vida, seria com certeza as "Duas Terras".

A próxima postagem será feita depois da viagem, mas o que escreverei será mantido fiel a uma espécie de "diário de bordo". Muitos amigos me pediram para contar as histórias da viagem e, mesmo que não houvessem pedidos, escreveria assim mesmo. É o tipo de viagem que quero lembrar (e com certeza vou) pra sempre.

Com vocês (daqui a 18 dias)... O Egito - por Ranieri!

Abraço pra você!